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Indiquei SK Hynix no pior mês dela desde 2008. Ela hoje divulgou o resultado mais espetacular que poderia e sobe mais de 12%

há 3 horas
11 min de leitura

O balanço do 3º trimestre confirmou a tese que eu passei pros assinantes em julho, quando ninguém queria a ação. O relatório está aqui


Te conto a história inteira, o que saiu no balanço, por que a memória virou o gargalo da inteligência artificial e quanto o mercado acha que a empresa ainda pode valer.


Hoje, 28 de outubro, o recibo da SK Hynix na Nasdaq (SKHY) chegou a US$ 164,00, alta de 12,82% no dia, depois do balanço do 3º trimestre.


Eu recomendei a SK Hynix em 29 de julho de 2026. Em 28 de julho, o recibo fechou a US$ 130,17.


De US$ 130,17 para US$ 164,00: alta de cerca de 26% em três meses, numa ação comprada em dólar. Em reais: +31,6%.


Mas o número mais importante dessa história não é o 26%. É o contexto em que a recomendação saiu.


Julho de 2026: o mês em que o mercado desistiu da SK Hynix


A SK Hynix estreou na Nasdaq em 10 de julho, com os recibos precificados a US$ 149. Foi uma das maiores listagens da história da bolsa americana, com US$ 26,5 bilhões captados.


No primeiro dia, abriu a US$ 170. Euforia total.


Aí veio a ressaca. Em julho, a ação perdeu quase metade do valor, cerca de 47% em um mês.


Foi o pior mês dela desde outubro de 2008, o mês da quebra do Lehman Brothers.


E no meio desse tombo, a empresa divulgou o balanço do 2º trimestre. Olha o que ela entregou:


  • Receita de 79 trilhões de wons, alta de 257% em doze meses e de 51% em apenas três meses.

  • Lucro operacional de 60 trilhões de wons, alta de 557%, com margem operacional de 76%.

  • Um único trimestre superou o lucro operacional do ano inteiro de 2025, que tinha sido de 47 trilhões.

  • O lucro antes de impostos foi o maior já registrado por uma empresa listada na Coreia. Dobrou o recorde anterior, que era da Samsung.


E a ação caiu mais de 15% em Nova York depois de divulgar isso.


O motivo? O resultado veio uns 5% abaixo do consenso. A empresa cresceu 257% e o mercado queria 280%.


Foi nesse dia que eu escrevi pros assinantes: "Recomendo compra de 1,5% do patrimônio em SK Hynix". O relatório tinha 34 minutos de leitura e uma semana inteira de trabalho por trás.

E eu não vou te esconder o meio do caminho: depois da recomendação, a ação ainda caiu até US$ 124,80, a mínima de 52 semanas, uns 4% abaixo do preço de referência.


Quem olhava a cotação todo dia passou nervoso. Quem olhava a tese, não.


Não é sorte, não é palpite e não é seguir a manada. É comprar a tese certa quando o preço está ruim, com o tamanho de posição certo.


Quer receber as próximas recomendações antes do mercado?

Quem assinava a Carteira ALL IN ONE recebeu a SK Hynix no dia do tombo, com a tese completa, o valuation e os riscos.


O balanço de hoje: a tese confirmada em números


No 3º trimestre de 2026, a SK Hynix entregou:

  • Receita de 104,6 trilhões de wons (cerca de US$ 77,8 bilhões). Alta de 328% em um ano e de cerca de 32% sobre o trimestre anterior. É a primeira vez na história que passa de 100 trilhões de wons num trimestre.

  • Lucro operacional de 83,3 trilhões de wons (cerca de US$ 62 bilhões). Alta de 632% em um ano e de cerca de 38% sobre o 2º trimestre.

  • Margem operacional de 80%, contra 76% no trimestre anterior. A margem subiu de novo. Numa fábrica de chips, não num aplicativo.

  • Lucro líquido de 39,8 trilhões de wons (cerca de US$ 29,6 bilhões).


Um detalhe que pouca gente vai entender: o lucro líquido do 3º trimestre é menor que o do 2º, que foi de 93,9 trilhões.

Isso não é piora.


No relatório de julho, eu mostrei que mais da metade daquele lucro de 93,9 trilhões vinha da reavaliação da participação que a SK Hynix tem na Kioxia, a fabricante japonesa de memória.


Era ganho contábil, não dinheiro da operação. O lucro recorrente do 2º trimestre, pela minha conta, era de uns 45,5 trilhões de wons. Quem olhar só o lucro líquido vai tirar a conclusão errada.


Os analistas esperavam receita entre 98,2 e 98,5 trilhões de wons e lucro operacional de uns 77 trilhões. Desta vez, a empresa entregou acima nos dois.


Só nos primeiros nove meses de 2026, o lucro operacional somou cerca de 181 trilhões de wons. É quase quatro vezes o ano inteiro de 2025.


Mas o número que mais me chamou atenção não está na tabela.


Está numa frase do chefe de vendas de HBM, Kim Ki-tae: os clientes pedem mais que o dobro do que a empresa consegue fornecer. E a memória para servidores e IA está praticamente vendida até 2029.

Quatro anos que mostram o tamanho da virada


Pra você entender de onde a SK Hynix saiu, olha os números anuais que a empresa divulgou, em dólares:

  • 2022: receita de US$ 33,7 bilhões e lucro líquido de US$ 1,7 bilhão.

  • 2023: receita de US$ 24,7 bilhões e prejuízo de US$ 6,8 bilhões. A margem bruta ficou negativa. Foi o fundo do último ciclo de memória.

  • 2024: receita de US$ 49,9 bilhões e lucro de US$ 14,8 bilhões.

  • 2025: receita de US$ 73,3 bilhões e lucro de US$ 32,1 bilhões. Margem EBITDA de 75%.


De 2024 para 2025, o lucro subiu 117%, e o que mais pesou foi a margem, não o volume. O retorno sobre o patrimônio passou de 26,5% para 35,3%, e o retorno sobre todo o capital investido, de 21,7% para 30,6%.


E 2026 está vindo muito acima disso: só o 3º trimestre faturou mais do que o ano inteiro de 2025.


Repare também no 2023.


É o lembrete de que memória é um setor cíclico. A mesma empresa que hoje tem margem de 80% teve prejuízo há menos de três anos. Por isso tamanho de posição importa tanto quanto a tese.


Por que a memória virou o gargalo da inteligência artificial


Todo mundo fala da Nvidia quando o assunto é IA. Mas um chip de IA não guarda a informação dentro dele. Ele busca o dado na memória, faz a conta e devolve o resultado. Esse vai e volta acontece bilhões de vezes por segundo.


O problema é que as duas coisas evoluíram em velocidades diferentes. A capacidade de cálculo dos processadores cresce em torno de três vezes a cada dois anos. A velocidade com que a memória entrega dado cresce cerca de 1,6 vez no mesmo período. A indústria chama isso de muro da memória.

Traduzindo: o chip de IA mais caro do planeta passa boa parte do tempo parado. Não porque seja lento. Porque está com fome de dado.


A HBM é a resposta pra isso. Em vez de espalhar os chips de memória pela placa, o fabricante empilha vários deles, formando uma torre, e cola essa torre encostada no processador. A memória comum conversa com o processador por um caminho de 64 vias. Cada torre de HBM conversa por 1.024 vias. É a diferença entre uma pista de Fórmula 1 e uma avenida de dezesseis faixas: a pista é mais rápida, a avenida entrega muito mais carga.


E tem o detalhe que quase ninguém conhece. A HBM vem soldada dentro do mesmo encapsulamento do processador. Não dá pra comprar mais memória sem comprar mais processador. Quando uma empresa de nuvem precisa atender mais usuários ao mesmo tempo, ela precisa de mais memória, e pra isso compra outro conjunto inteiro de processador mais memória. Isso é um multiplicador de demanda que não existe em nenhum outro componente da cadeia.


O resultado é que a memória virou a peça mais cara do chip de IA. Dependendo do levantamento, ela já representa de 30% a 63% do custo dos componentes de um acelerador de IA, com o chip que faz a conta em torno de 13%. A peça que pensa ficou mais barata que as peças que a alimentam.


E a próxima geração não resolve, piora. A próxima plataforma de processadores de IA promete cerca de cinco vezes mais capacidade de processamento. No mesmo salto, a banda de memória cresce cerca de 2,8 vezes. O muro da memória está ficando mais alto.


Três empresas fazem 100% da HBM do mundo. A SK Hynix é a líder, com algo entre 56% e 60% desse mercado. O mercado de HBM saiu de cerca de US$ 35 bilhões em 2025, deve rodar perto de US$ 58 bilhões em 2026, e as projeções da indústria apontam para perto de US$ 100 bilhões em 2028.


Os 5 sinais de que a tese está de pé


1. A indústria de memória mudou de natureza. Historicamente, memória era vendida no mercado à vista, sem contrato e sem previsibilidade, como soja no porto. Agora a SK Hynix tem contratos de cinco anos com 14 grandes clientes, eram 10 em julho, com depósito antecipado e mecanismos de preço. Isso nunca existiu em 50 anos de indústria.


2. Receita futura já garantida. Esses contratos cobrem mais de 50% da capacidade de produção de 2027 e 2028.


3. A próxima geração já está vendendo. A HBM4 começou a ser entregue em volume no 2º trimestre e deve superar a geração anterior, a HBM3E, em remessas e em receita já no 4º trimestre. A fábrica M15X vai rodar na capacidade máxima até o fim do ano.


4. A China está longe na HBM. A CXMT, maior fabricante de memória da China, aproveita só 20% a 30% dos chips de cada lote. A SK Hynix, cerca de 70%. Em julho, a estreia de uma fabricante chinesa de memória na bolsa de Xangai subiu 466% no primeiro dia e assustou o setor inteiro. Mas ela compete em memória comum, não em HBM de ponta. O gatilho que me faria mudar de ideia é específico: HBM chinesa qualificada, com volume, na plataforma de um grande fabricante de chips de IA. Até agora, isso não aconteceu.


5. Dinheiro voltando pro acionista. A empresa vai devolver cerca de 100 trilhões de wons (uns US$ 74,4 bilhões) aos acionistas em 2026, com pelo menos 30 trilhões em dividendos e 60 trilhões em recompras. Só neste trimestre, aprovou dividendo de 20 mil wons por ação, metade dele especial, e uma nova recompra de 20 trilhões de wons. E ainda tem caixa líquido: em junho eram cerca de 69 trilhões de wons a mais em caixa do que em dívida.


O efeito dominó


O resultado da SK Hynix não mexeu só com ela. Micron, Sandisk e outras ações ligadas a IA subiram junto, e a Nasdaq ganhou fôlego. Ao mesmo tempo, a Oracle anunciou que vai oferecer os chips de IA do Google na nuvem dela a partir de 2027, e a OpenAI planeja comprar esses chips. Mais chips de IA rodando, de qualquer fabricante, significa mais demanda por memória.


Por isso eu repito: o investidor brasileiro olha pra Nvidia e esquece a fila inteira que está atrás dela.


Os riscos que eu acompanho

  • Ciclo de memória: margem de 80% é um convite à entrada de capital. Os três grandes estão investindo pesado ao mesmo tempo, e toda bolha de investimento na indústria pesada terminou com excesso de capacidade. Eu acredito num ciclo mais longo que os anteriores, mas não num ciclo eterno.

  • Volatilidade: a ação já foi de US$ 199,87 a US$ 124,80 em poucos meses. Ela oscila cerca do dobro do mercado. Mesmo com a alta de hoje, ainda está uns 18% abaixo da máxima.

  • Crédito da infraestrutura de IA: o setor de data centers emitiu volume recorde de dívida. Se o mercado de crédito travar, o fornecedor de componente é o primeiro a sofrer.

  • Kioxia: a participação de 14% na japonesa gera lucro ou prejuízo contábil a cada trimestre, conforme a cotação em Tóquio, sem nenhuma relação com o negócio de memória. Vai confundir manchete nos dois sentidos.

  • Prêmio do recibo: em julho, o recibo na Nasdaq custava cerca de 22% a mais que a ação equivalente em Seul, porque a conversão entre os dois está limitada. Se esse prêmio diminuir, o SKHY pode subir menos que a empresa.

  • Câmbio e geopolítica: exposição a Coreia, Taiwan e China ao mesmo tempo, com o won como variável adicional pra quem investe do Brasil.


Por que o peso na carteira é de 1,5%

Muita gente me pergunta: se você confia tanto na tese, por que não recomendou mais?

Porque tese boa e ação volátil são coisas diferentes. A SK Hynix está na parte internacional da Carteira ALL IN ONE com peso de 1,5%, ao lado de outras posições com o mesmo peso. Quando uma ação cai no meio do caminho, a carteira aguenta. Quando ela dispara, como hoje, a gente colhe.

Carteira não é aposta. É sobreviver ao cenário ruim e estar dentro quando o bom chega.


Quer ver a carteira completa, com todas as teses?

Análise independente de verdade: sem comissão, sem rebate, sem banco por trás. A próxima recomendação vai pra quem estiver dentro.


o conteúdo abaixo é só para assinantes


Quanto a SK Hynix pode valer


Agora a parte que eu reservo pra quem assina: até onde o mercado acha que essa ação pode ir. A cotação de referência é a de hoje, US$ 164,00.


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