Resultados parecem ruins… até você olhar o caixa (#COGN3 #YDUQ3 #AZZA3 #PLPL3)
- Cristiane Fensterseifer

- há 3 minutos
- 4 min de leitura
A temporada de resultados muitas vezes engana quem olha apenas a manchete.
No 4T25, vários números pareceram fracos à primeira vista, mas quando analisamos qualidade do resultado, geração de caixa e posição no ciclo, a leitura muda bastante.
Abaixo, consolidei os principais pontos das empresas que comentei hoje.
Educação: números confusos, mas muito caixa
Cogna (#COGN3) O resultado pareceu fraco inicialmente, mas era só poluição
Receita +2%
EBITDA -5% a/a
Margens pressionadas
Mas houve muita poluição não recorrente.
1) Kroton: crescimento mascarado
A receita parece fraca porque descontos que antes apareciam em outra linha passaram a reduzir diretamente a receita.
Ajustando essa reclassificação, o crescimento operacional foi próximo de 10%.
2) Medicina pressionando custos
Cursos de medicina exigem mais professores, laboratórios e estrutura.
Isso pressiona margem no curto prazo, mas tende a melhorar rentabilidade no longo prazo.
3) PNLD adiado
No segmento Saber (educação básica), o adiamento do PNLD para 2026 empurrou receitas para frente, enquanto parte dos custos já entrou no 4T25.
4) Caixa e desalavancagem
O fluxo operacional foi forte e a dívida líquida caiu para 1,2x EBITDA.
Valuation:
P/E 2026E: ~8x
FCF yield 2025: ~11%
FCF yield 2026: ~14%
Yduqs (#YDUQ3) -;A ação caiu forte, mas a qualidade do resultado foi melhor do que parece.
EBITDA +16% acima das estimativas
Margem 35%
Fluxo de caixa livre acima de R$1 bilhão em 2025
O que pesou no resultado:
queda nas matrículas
resultado financeiro
transição do EAD para modelos semipresenciais após mudanças regulatórias
O crescimento do setor ainda está fraco.
A própria gestão foi clara: o ciclo do mercado educacional está ruim, então o foco agora é geração de caixa e remuneração ao acionista enquanto o ciclo não vira.
O paradoxo da ação hoje é:
lucro contábil fraco
mas
geração de caixa muito forte.
A tese atual é eficiência e desalavancagem, não crescimento.
Valuation:
P/E ~6x
FCF yield ~15%
Varejo: disciplina de capital voltando
Azzas 2154 (#AZZA3): O 4T25 veio com menos volume, mas isso faz parte de uma estratégia para entregar um 2026 mais saudável.
Receita -4%
EBITDA -3,5%
Apesar disso, a geração de caixa foi forte:
R$838 milhões no trimestre
A alavancagem caiu para 1,28x EBITDA.
Hoje a companhia negocia a:
P/E ~7x
FCF yield ~11%
Barata frente aos pares.
A disputa de visões dentro da companhia também é relevante:
Alexandre Birman (ex-Arezzo) → foco em margem e disciplina de capital
Roberto Jatahy (ex-Soma) → histórico de expansão e crescimento de marcas
Hoje a gestão segue mais alinhada à visão Birman, com ele como CEO.
Jatahy continua relevante, como executivo e membro do conselho.
Um ponto curioso: a Hering segue sendo uma grande consumidora de energia e recursos dentro do grupo.
Mineração: resultados bons, ciclo ainda incerto
CSN (#CSNA3): A companhia até entregou um 4T25 acima do esperado, mas o problema é estrutural:
alavancagem elevada
juros altos no Brasil
forte dependência de minério de ferro
E o minério continua dependente de uma China ainda travada no setor imobiliário.
Isso limita o entusiasmo com a tese.
CSN Mineração (#CMIN3): Resultado sólido no trimestre.
Volumes maiores compensaram preços mais fracos e custos pressionados.
margem 43%
alavancagem praticamente nula
produção anual 45,5 milhões de toneladas
custo C1 competitivo.
Mas a tese continua sendo macro.
Sem uma recuperação clara do setor imobiliário chinês, o minério tende a ter upside limitado.
Um ponto importante:
CMIN3 é muito mais alavancada ao preço do minério, pois praticamente só vende minério de ferro.
Já Vale (#VALE3) tem diversificação relevante:
cobre
níquel
logística
contratos de longo prazo
Construção: ciclo começando a destravar
Plano & Plano (#PLPL3): O resultado foi forte, mas o ponto mais importante está no ciclo operacional.
Depois da extensão do ciclo de obras em 2023–2024, vários projetos começam agora a avançar no POC (percentual de obra concluída), acelerando o reconhecimento de receita.
4T25:
Receita +60% a/a
2025:
Vendas +42%
R$5,3 bilhões em lançamentos
Ou seja: existe muito projeto contratado que ainda vai virar receita e lucro.
Rentabilidade impressionante:
ROE de 38,7%
Com o ciclo de obras normalizando, 2026 deve destravar receita de forma relevante.
Estimativa:
lucro próximo de R$500 milhões
geração de caixa semelhante
Valuation atual:
P/L ~6x
crescimento de receita acima de 20%
Agro: entendendo o ciclo
SLC Agrícola (#SLCE3)
O 4T25 isolado diz pouco.
Receita +15% a/a
EBITDA +4%
prejuízo de R$71 milhões (impacto financeiro após aquisições de terras)
No ano cheio, os números foram bem mais fortes:
EBITDA R$2,66 bilhões (+31%)
lucro R$565 milhões (+17%)
produtividade recorde em soja e milho
Mas o mais importante é entender o ciclo do agro.
No setor agrícola, o custo é um choque imediato e o preço é uma resposta atrasada.
Quando fertilizantes, diesel e defensivos sobem como agora pela guerra no Ira...
→ a margem do produtor comprime primeiro.
Se esses custos elevados levam a:
menor área plantada
ou
menor produtividade global
então o ajuste vem depois:
menos oferta → preços agrícolas mais altos.
O ciclo clássico costuma ser:
custos sobem → margem aperta → oferta futura cai → preço agrícola sobe.
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👩💼 CRISTIANE FENSTERSEIFER CNPI, CGA
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