Resultados corporativos: Ultrapar melhora forte na Ipiranga, LJQQ3 vira aposta em queda de juros e Dexco segue dependente da construção
- Cristiane Fensterseifer
- há 4 minutos
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O trimestre trouxe três histórias diferentes no mercado brasileiro: uma empresa melhorando estruturalmente (Ultrapar), uma tese extremamente sensível aos juros (Lojas Quero-Quero) e um setor ainda esperando a volta da construção civil (Dexco).
#UGPA3 Operacionalmente excelente com margem da Ipiranga subindo + caixa recorde
Volume: +7%
Margem EBITDA: R$165/m³ vs R$140/m³ no 4T24
É um salto de 18% na margem unitária
Geração de caixa operacional (CFO) recorde de R$5,5 bi +46%, EBITDA recorrente +36% e melhora clara de rentabilidade na Ipiranga (margem R$165/m³ vs R$140).
Desconsidere o lucro fraco -71% pela base inflada por crédito fiscal em 2024 + impairment na Hidrovias.
O CEO deixou claro que houve avanço no combate a postos ilegais e devedores contumazes.
Combate aos postos ilegais está melhorando a estrutura do setor.
Isso é enorme para o setor de combustíveis.
Postos que:
não pagam ICMS
adulteram combustível
operam com sonegação sistemática
conseguem vender mais barato e pressionam as margens de toda a indústria.
Se UGPA3 sustentar R$6 bi de EBITDA anual com capex R$2,6 bi e alavancagem 1,7x, a empresa vira um gerador de FCF relevante.
CFO'25: R$ 5,5 bi
Capex: R$ 2,6 bi
FCF yield anualizado 10%
DY 6%
#LJQQ3 é para mim uma tese de deep value / juros.
Virou basicamente uma opção barata de queda de juros.
É um negócio sensível à Selic sofrendo mto com os 15%
Receita +4% no 4T25, EBITDA caiu 65% (margem 1,8%) e prejuízo de R$ 43 mi. Dívida líquida R$ 207 mi.
Mesmo assim, a empresa segue gerando caixa (FCO anualizado R$158 mi) e projeta abrir até 10 lojas até 2026.
A ação caiu 87% desde o IPO.
O mercado está precificando a empresa a algo como 34% de FCF yield anualizado
Dexco #DXCO3, aquela das marcas Duratex, Deca e Hydra, e controle da Itaúsa com 40,8% teve melhora operacional no 4T25:
EBITDA recorrente +12%aa e lucro recorrente de R$36 mi.
Lucro contábil prejuízo de R$48 mi com ajuste de valor do negócio de cerâmicas (impairment), com o mercado imobiliário fraco.
Uma alta nessa ação segue dependente da retomada da construção civil.
Mas o problema aqui nem é múltiplo retorno baixo: ROIC 5%
alavancagem alta 3x e FCF fraco
Uma queda na Selic e animada na construção civil, além de vendas de ativos para desalavancar pode animar o papel, mas por enquanto eu não me animei
E por fim...
Cristiane Fensterseifer, CNPI, CGA, consultora de investimentos
