O mercado comemora o IPCA. O Pacífico prepara uma surpresa. Prepare seu bolso e carteira aqui:
- Cristiane Fensterseifer
- há 5 horas
- 4 min de leitura
O mercado brasileiro comemorou.
O IPCA de junho veio em 0,16%, bem abaixo dos 0,31% esperados, com alimentos em deflação de 0,24%.
Café, frutas e carnes caindo. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,64%.
No mesmo dia, do outro lado do planeta, a NOAA, a agência climática dos Estados Unidos, elevou para 81% a probabilidade de o El Niño atingir a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro.
Se confirmar, pode ser o mais intenso já registrado. E deve durar até pelo menos abril de 2027.
O mercado está olhando pelo retrovisor. Este relatório olha pelo para-brisa.
O que o El Niño faz com o Brasil
O El Niño é o aquecimento anômalo das águas do Pacífico.
Parece distante, mas ele mexe diretamente em três coisas que definem a inflação brasileira.
Primeiro, a safra.
O padrão histórico do fenômeno é chuva em excesso no Sul e seca no Centro-Norte.
Soja, trigo e cana entram na linha de tiro.
Safra pressionada significa alimento mais caro na gôndola, com defasagem de alguns meses entre o campo e o carrinho do supermercado.
Segundo, a energia.
Reservatórios de hidrelétricas em queda forçam o acionamento de térmicas, que são mais caras.
Isso vira bandeira tarifária na sua conta de luz.
Em junho, a energia elétrica já subiu 1,53% e foi o maior impacto individual do IPCA.
Isso antes do El Niño chegar com força.
Terceiro, a expectativa.
Economistas já projetam inflação de alimentos acima de 7% em 2026.
Quando alimento e energia sobem juntos, a inflação cheia resiste, as expectativas pioram e o Banco Central perde espaço para cortar juros.
A armadilha do IPCA bonzinho
Aqui está o ponto que quase ninguém conectou.
A deflação de alimentos de junho é fruto de safra boa e clima favorável no passado recente.
É exatamente essa condição que o El Niño ameaça reverter no segundo semestre.
Ou seja:
o dado que fez o mercado comemorar tem prazo de validade.
E o investidor que monta posição olhando para a inflação de ontem costuma pagar caro pela inflação de amanhã.
A consequência prática mais importante está nos juros.
A Selic está em 14,25% e o mercado projeta queda para a casa de 13,50% até o fim de 2026.
Um choque de alimentos e energia no meio do caminho pode desacelerar esse ciclo de cortes.
Quem apostou pesado em prefixado longo contando com queda rápida de juros pode ter uma surpresa desagradável.
O manual de proteção
A boa notícia: o mercado brasileiro oferece hoje uma das proteções mais generosas da história recente. Só que a janela não fica aberta para sempre.
Na renda fixa, o instrumento clássico contra esse cenário é o título IPCA+.
Ele paga a inflação, seja ela qual for, mais uma taxa real contratada.
Hoje o Tesouro IPCA+ 2035 paga IPCA + 8,33% ao ano.
Para dar contexto: juro real acima de 6% já é considerado raro no mundo.
Acima de 8% é anomalia histórica.
Se a inflação rodar entre 4% e 5%, o retorno bruto fica na casa de 12% a 13% ao ano, com proteção total do poder de compra.
Se o El Niño bagunçar os preços, a proteção vale ainda mais.
O CDI, por outro lado, protege menos do que parece.
Ele rende bem hoje, mas carrega risco de reinvestimento: quando a Selic cair, o rendimento cai junto, e você não travou nada.
O IPCA+ resolve exatamente isso.
Na bolsa, o cenário separa as empresas em três grupos.
As protegidas:
companhias com poder de repasse de preço, que conseguem subir a etiqueta sem perder cliente, e geradoras de energia bem posicionadas, que podem se beneficiar de preços mais altos.
As beneficiadas:
parte do agro ligada a açúcar e etanol tende a capturar preços internacionais melhores quando o clima aperta a oferta global.
E as vulneráveis:
varejo voltado às classes de menor renda, que sofre quando comida e luz comem o orçamento das famílias, e empresas com custo intensivo em grãos ou energia sem capacidade de repasse.
O erro clássico nesse momento é não fazer nada, deixar tudo no CDI e achar que está protegido.
Proteção de verdade é alocação: travar juro real alto enquanto ele existe e escolher, na bolsa, as empresas certas para o cenário que vem, não para o que passou.
O que fazer agora
Se você já é assinante da carteira ALL IN ONE:
a estrutura da carteira já contempla esse cenário.
A parcela de renda fixa aproveita as taxas reais elevadas de agora, e as posições em ações foram escolhidas com atenção a poder de repasse e resiliência de margem.
O que eu recomendo neste momento é usar os aportes novos para se aproximar dos pesos recomendados, principalmente se a sua renda fixa está abaixo do alvo.
Qualquer mudança de recomendação por causa do avanço do El Niño chega primeiro pra você, na área de assinantes e no Telegram, como sempre.
Se você ainda não é assinante:
este relatório te deu o mapa. A ALL IN ONE te dá o caminho completo, com as ações específicas, os fundos imobiliários, os títulos com as melhores taxas e a alocação internacional, tudo com pesos exatos e acompanhamento contínuo.
Sou analista certificada, CNPI, e não ganho comissão para te empurrar produto.
Meu único produto é a qualidade da recomendação: se a carteira não entregar, você não renova.
Eu só ganho se você ganhar.
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O El Niño já deu o aviso. A pergunta é se o seu dinheiro vai ouvir.
