Lojas Renner (LREN3) volta a executar: margens sobem, caixa cresce e dividendos podem chegar a 8%
- Cristiane Fensterseifer

- há 3 dias
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A Lojas Renner (LREN3) divulgou um resultado sólido no 4T25, com expansão de margens, geração de caixa e lucro recorde em 2025.
Mais do que o crescimento do lucro, o que chama atenção no resultado é a qualidade da execução operacional, indicando que a companhia voltou ao padrão de eficiência que sempre caracterizou a empresa no varejo brasileiro.
O EBITDA ajustado atingiu R$ 1,1 bilhão no trimestre (+9% na comparação anual), acompanhado de uma expansão relevante de rentabilidade. A margem bruta chegou a 56,5% (+0,7 p.p.), enquanto a margem EBITDA alcançou 25,6% (+1,1 p.p.).
Outro ponto importante foi a queda de 3,4% nos estoques, sinalizando melhor gestão de coleções e da cadeia de suprimentos. Estoques mais equilibrados reduzem a necessidade de promoções agressivas e ajudam a sustentar margens ao longo dos trimestres.
A melhora operacional também se refletiu na geração de caixa. A companhia reportou R$ 561 milhões de fluxo de caixa livre no 4T25, reforçando a capacidade do negócio de converter resultado operacional em caixa.
No acumulado de 2025, a fotografia é ainda mais positiva. A Renner registrou lucro líquido recorde de R$ 1,46 bilhão (+21,8%), enquanto o EBITDA alcançou R$ 3,19 bilhões (+20%), consolidando um ciclo de recuperação de rentabilidade após os desafios enfrentados pelo varejo nos últimos anos.
O crescimento das vendas também mostrou qualidade. O SSS (vendas mesmas lojas) avançou 3,3%, indicando que a melhora não depende apenas da abertura de novas unidades.
Para 2026, a companhia projeta investimentos de aproximadamente R$ 1,05 bilhão, com plano de expansão relevante:
22 a 30 novas lojas Renner
23 a 25 lojas Youcom
aproximadamente 5 novas unidades da Camicado
Além dos números operacionais, outro dado relevante reforça a força da marca Renner. Uma pesquisa do UBS Evidence Lab mostrou que 54% dos consumidores pretendem comprar na Renner nos próximos 12 meses, colocando a companhia na liderança da intenção de compra no varejo de vestuário brasileiro, à frente de C&A e Riachuelo.
Ao mesmo tempo, a Shein perdeu posição no ranking, após mudanças nas regras de tributação de importações, o que ajuda a reduzir uma das preocupações recentes do mercado: o impacto estrutural dos players asiáticos sobre o varejo nacional.
Outro ponto que começa a chamar atenção é a mudança gradual na natureza da tese da Renner. Historicamente, a empresa sempre foi vista como uma história de crescimento, reinvestindo grande parte do caixa na expansão da operação.
Agora, com o negócio mais maduro e a rentabilidade recuperada, a companhia começa a mostrar uma capacidade maior de geração de caixa, abrindo espaço para remuneração mais relevante aos acionistas.
Em alguns cenários, considerando dividendos e recompras de ações, o retorno ao acionista pode se aproximar de 8% ao ano — algo que poucos investidores associavam à Renner no passado.
Se o ciclo de queda de juros avançar no Brasil, o varejo de vestuário tende a ser um dos primeiros setores a sentir melhora na demanda, o que pode beneficiar ainda mais o desempenho da companhia.
Mesmo com essa melhora operacional relevante, as ações seguem sendo negociadas a aproximadamente 9 vezes lucro, um nível que, na minha visão, não reflete a qualidade do ativo nem a recuperação de rentabilidade que já está em curso.
Cristiane Fensterseifer, CNPI, CGAConsultora de investimentos
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