Quanto vale a Braskem #BRKM5 sob novo controle, em um novo cenário - meu Preço justo
- Cristiane Fensterseifer

- há 6 horas
- 7 min de leitura
Transação de R$ 20 bilhões abre caminho para recuperação extrajudicial e nova governança compartilhada com a Petrobras
Após meses de negociações, aprovações regulatórias e acertos finais, a IG4 Capital assinou o acordo vinculante e definitivo para a transferência do controle da Braskem.
Estamos diante de uma das maiores reestruturações corporativas do país em andamento.
A operação envolve a alienação de aproximadamente 50,1% das ações ordinárias (controle votante) e cerca de 34,3% do capital social total da Braskem.

Essa é a maior transação já realizada pela IG4 Capital e representa uma conversão de dívida em equity de grande escala (créditos de aproximadamente R$ 20 bilhões detidos por bancos como Itaú, Bradesco, Santander, BB e BNDES).
Se bem-sucedida, pode se configurar como um dos maiores turnarounds corporativos do Brasil nos últimos anos.
Nova Estrutura de Governança e Equipe Executiva
A IG4 já definiu os principais nomes que comandarão a Braskem assim que assumir a gestão efetiva:
CEO: Helcio Tokeshi (sócio da IG4, ex-CEO da Corredor Logística e Infraestrutura – CLI, ex-McKinsey, ex-secretário no Ministério da Fazenda e com passagem pelo Banco Mundial). Perfil técnico e experiente em operações complexas.
CFO: Carlos Brandão (ex-CEO da Iguá Saneamentos e ex-CFO da Oi) — forte background em reestruturações financeiras.
Diretora Jurídica, Compliance e ESG: Camila Tapias (ex-Telefônica) — experiência em situações corporativas complexas.
Planejamento Estratégico e M&A: Luiz Rossato (ex-Magnesita).
Vice-presidente do Conselho: Hélio Novaes (ex-sênior partner da Alvarez & Marsal).
Outros nomes independentes serão indicados pela gestora.
A Petrobras deve dividir a gestão via novo acordo de acionistas, com possível alternância ou compartilhamento de influência em negócios no Brasil, México, Europa e EUA.
A IG4 afirmou em nota que o FIP Shine está preparado para assinar um novo Acordo de Acionistas com a Petrobras e que “um novo plano de reestruturação será apresentado pela nova Diretoria Executiva tão logo assuma suas funções”.
Contexto Financeiro e Próximos Passos Imediatos
A IG4 assume a petroquímica em uma situação financeira ainda mais delicada.
A Braskem encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 39 a 51 bilhões dependendo do câmbio e ajustes, elevada alavancagem e queima de caixa persistente.
Fontes do mercado indicam que a companhia não deve escapar de um pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas.
A estratégia em discussão é semelhante à adotada pela Raízen: medida cautelar para proteção temporária contra credores, seguida de processo extrajudicial (ou, se necessário, judicial).
Conversas com credores ocorrerão já no contexto da nova composição acionária e nova administração.
Adicionalmente, a Braskem avança em tratativas para um possível Chapter 11 na subsidiária Braskem Idesa (México) e prepara uma reestruturação bilionária (potencialmente na casa de R$ 47 bilhões) antes de junho, diante de vencimentos de juros de bonds em julho (US$ 141 mi) e agosto (US$ 36 mi).
Este anúncio marca o fim de um longo ciclo de incerteza societária e abre uma nova fase de reestruturação profunda.
Pontos positivos imediatos:
Fim da paralisia gerada pela Novonor.
Entrada de uma gestora especializada em situações especiais.
Governança compartilhada com a Petrobras (fornecimento estratégico garantido via contratos de longo prazo já assinados).
Potencial para aceleração de medidas como venda de ativos, otimização operacional e renegociação de dívida - incertezas sobre o tamanho do haircut ou da capitalização necessária.
Catalisadores positivos:
A assinatura do acordo definitivo com a IG4 é o catalisador mais relevante desde o início da crise de controle da Braskem, mas temos outros:
REIQ expandido (PL aprovado em fev/26): Senado aprovou extensão dos benefícios do REIQ de março a dezembro de 2026, com alíquota PIS/COFINS de 3,45% vs. 8,52% atual. Estima-se impacto de +US$ 230mi no EBITDA 2026 (~+40%). Aguarda sanção presidencial.
Contratos com Petrobras (US$ 17bi): Novos contratos de longo prazo para fornecimento de nafta, etano, propano e hidrogênio firmados em dez/25, com vigência até 2030-2031. Garantem continuidade operacional e sinergia estratégica.
Spreads petroquímicos (Oriente Médio): Ocorreu uma melhora inesperada de spreads globais causada por disrupções logísticas com conflito no Oriente Médio. Os produtores das Américas estão capturando deslocamento de oferta asiática/árabe.
Valuation e recomendação
ANTENÇÃO Nada está previsto ou É certo, confirmado. Tudo que escrevo abaixo é um cenário !!!! SAO PREMISSAS PRA CHEGAR NO PREÇO ALVO APENAS
Estrutura de capital: premissa crítica do valuation
O valuation assume um cenário de reestruturação financeira relevante.
Foi considerado um haircut de 50% sobre a dívida bruta, refletindo uma eventual recuperação extrajudicial ou renegociação agressiva do passivo.
Em situações de estresse financeiro, credores frequentemente aceitam reduções relevantes de principal como alternativa ao default, com precedentes que variam de cortes moderados até níveis superiores a 70% em casos extremos.
Esse tipo de ajuste é recorrente tanto em reestruturações corporativas quanto soberanas, sendo parte central da preservação de valor em cenários de desalavancagem.
Na prática, isso reduziria a dívida líquida projetada para aproximadamente R$ 11 bi já no início do período de normalização operacional.
Sem esse ajuste, a alavancagem permaneceria em níveis incompatíveis com a geração de caixa da companhia, comprometendo completamente o valor do equity.
Impacto direto no valuation
Essa premissa tem efeito direto e relevante em três frentes:
1) Valor do equity A redução da dívida é o principal driver do valor para o acionista. Grande parte do upside não vem da operação, mas da reestruturação do passivo.
2) Alavancagem A relação dívida líquida/EBITDA cai rapidamente para em 2026, permitindo estabilização financeira.
Sem o haircut, essa métrica permaneceria em níveis elevados por vários anos.
3) Fluxo de caixa ao acionista A menor pressão financeira permite a virada do FCFE para positivo a partir de 2026, destravando valor.
Diluição dos acionistas
Alem do haircut considerei a conversão de R$ 10 bilhões de dívida em ações a um preço de R$ 9 por ação,
Após a conversão, o total de ações passaria para aproximadamente 1,91 bilhão de ações.
Isso implica que os acionistas atuais teriam um diluição aproximada de 58%
A diluição é consequência direta da reestruturação.
A empresa melhora financeiramente, mas o valor é redistribuído entre antigos acionistas e credores
Na prática:
O risco sai do balanço, mas entra no capital
Esse movimento é comum em reestruturações mais profundas, onde a desalavancagem exige participação ativa dos credores no equity.
Premissas de resultado
O valuation foi construído via fluxo de caixa descontado, partindo de um cenário de recuperação gradual do ciclo petroquímico após um fundo mais fraco em 2024–2025.
Este é um CENÁRIO DE UMA REESTRUTURAÇÃO extrajudicial bem-sucedida + benefícios REIQ plenos.
Nova gestão vende ativos não-core e otimiza operações.
IG4 + Petrobras aceleram turnaround, spreads melhoram com tensão geopolítica, venda de ativos gera caixa extra e REIQ/PRESIQ entregam +US$ 500 mi.
A receita apresentou queda relevante em 2025 (-9%), refletindo spreads comprimidos e ambiente global ainda pressionado.
A partir de 2026, assume-se normalização com crescimento de 3% ao ano, em linha com expansão mais moderada da demanda global.
A margem EBITDA sai de 7,4% em 2024 para 4,5% em 2025, capturando o pior momento do ciclo, e depois retorna para a faixa de 6%–7% ao longo do período projetado - temos REIQ adicionando de US$ 230 a 500 mi.
Mesmo com a recuperação operacional, o lucro líquido permanece negativo até 2027, refletindo o peso da estrutura de capital e das despesas financeiras. A virada para lucro ocorre apenas a partir de 2028.
Geração de caixa
O ponto central do valuation está na inflexão do fluxo de caixa:
A partir de 2026, o fluxo de caixa da firma se torna positivo e relevante
O FCF projetado estabiliza entre R$ 2,4 bi e R$ 3,0 bi no período mais maduro, com yields elevados após a normalização do ciclo.
A conversão de EBITDA em caixa melhora progressivamente, saindo de níveis negativos para patamares acima de 50% ao longo do ciclo.
O valuation utiliza: WACC de 15% e Crescimento na perpetuidade de 4%
Riscos principais:
Execução da reestruturação (possível diluição para minoritários via injeção de capital ou conversão de dívida).
Pressão de liquidez no curto prazo.
Diluição minoritária: reestruturação pode envolver injeção de capital ou conversão de dívida em equity.
Recuperação extrajudicial / judicial: medida cautelar + RJ ou Chapter 11 na Idesa deve ocorrer nas próximas semanas (R$ 47 bi em reestruturação possível).
Execução da IG4: nova diretoria ainda não comprovada em escala petroquímica.
Ciclo setorial ainda desafiador (spreads comprimidos e excesso de capacidade global até 2030) - A guerra no Oriente Médio trouxe alívio pontual nos spreads, com uma melhora inesperada nos preços e impacto positivo no curto prazo.
Liquidez e vencimentos: juros de bonds em jul/ago (US$ 177 mi) e principal em 2028 pressionam caixa.
Alagoas: passivos >R$ 5 bi ainda não resolvidos. Pagamentos de cerca de R$400 mi por trimestre
Resultado do valuation e recomendação
O ponto central do case não é apenas a recuperação operacional.
É quem captura o valor após a reestruturação.
O cenário modelado mostra que:
• o haircut é essencial para viabilizar a empresa
• a conversão em ações é essencial para viabilizar o haircut
e a diluição é o custo para o acionista atual
Dividindo pelo número de ações após o cenário de emissão, o preço justo estimado é de aproximadamente R$ 13,00 por ação.
Isso implica um potencial de valorização de 34% em relação ao preço atual - A ação negocia no menor patamar em mais de 10 anos.
O valuation captura um case clássico de ciclo + desalavancagem e turnaround de empresa com problemas importantes financeiros.
O valor não vem de crescimento estrutural relevante, mas da normalização de spreads e do alívio financeiro
O principal risco está na execução dessa desalavancagem e na duração do ciclo petroquímico global.
Se a recuperação operacional atrasar, o equity continua pressionado