Gerdau (GGBR4): lucro decepciona, mas o EBITDA dispara — e a tese depende cada vez mais dos EUA
O que veio
A Gerdau divulgou no 3T26 lucro líquido ajustado de R$ 1,52 bilhão, alta de 39,7% sobre o 3T25.
O EBITDA ajustado somou R$ 3,77 bilhões, crescimento de 37,8% na comparação anual, com margem de 20,2% — a maior desde 2023.
A receita líquida ficou em R$ 18,69 bilhões, avanço de 3,9% sobre o mesmo período de 2025, mesmo com as vendas de aço caindo 5,6% na base anual, para 2,91 milhões de toneladas.
A América do Norte respondeu por mais de 76% do EBITDA consolidado, com R$ 2,9 bilhões e margem de 27,7%.
No Brasil, o EBITDA caiu 2,8%, para R$ 741 milhões, com queda de 14,6% no volume vendido, pressionado pela concorrência do aço importado.
Contra o que se esperava
O lucro divulgado de R$ 1,52 bilhão ficou abaixo das prévias de mercado em 11,7% e 5%
Já o EBITDA de R$ 3,77 bilhões veio 4,7% acima do esperado.
O que explica a diferença
O resultado operacional acima do esperado (EBITDA) à força da operação norte-americana, com preços subindo bem acima dos custos em ambiente de demanda firme e carteira de pedidos elevada.
No Brasil, a queda de volume foi atribuída à concorrência do aço importado, embora a rentabilidade tenha melhorado pelo segundo trimestre seguido com mais vendas no mercado interno.
Na América do Sul, o resultado piorou por paradas para manutenção na Argentina, compensadas parcialmente pelo Peru.
O que muda na tese
Para mim, o resultado reforça o que já estava desenhado: a tese de Gerdau hoje é quase inteiramente uma tese de América do Norte.
Mais de três quartos do EBITDA vêm de lá, com margem no maior patamar em quatro anos, e isso aparece nas sucessivas revisões de preço-alvo para cima ao longo do ano — de R$ 22,22 em setembro para R$ 35,00 em outubro, segundo registros do material de consenso de mercado
O Brasil segue sendo o lado fraco, com queda de volume por importação, e isso não muda com um trimestre de margem melhor.
O upside médio das projeções reunidas na minha base está negativo em -0,3% sobre a cotação atual, o que indica que, no agregado, o preço já incorpora boa parte da melhora operacional reportada.
Não vejo motivo para mudar a leitura de cautela com a dependência tarifária americana: o material registra repetidas vezes o risco de flexibilização das tarifas de 50% sobre aço importado nos EUA e de nova capacidade no México no 4T26, fatores que, se avançarem, atingem diretamente a principal fonte de resultado da empresa.
O que eu vou olhar no próximo
Vou acompanhar se a margem na América do Norte se sustenta perto de 27% ou começa a normalizar, como algumas projeções do material já antecipam para 2027. E vou olhar se o Brasil consegue repetir a melhora sequencial de rentabilidade apesar da queda de volume.
Múltiplos esperados (2026, consenso da minha base)
- P/L: 6,7x
- EV/EBITDA: 3,1x
- FCF yield: +15,4%
- Dívida líquida/EBITDA: 0,6x
- Upside médio estimado: -0,3%
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