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Comprar ou vender as ações de Banco ABC (ABCB3)? Uma análise completa do setor de bancos no Brasil

Nesse relatório trago os destaques do encontro do banco com investidores e atualizo minha avaliação do ABC, para responder à pergunta que não quer calar: Vale a pena investir?


No final do relatório apresento meu preço justo e potencial estimado para as ações ABCB4 e uma comparação completa dos múltiplos do setor.


O banco ABC tem uma história de operação rentável, com foco em atender empresas e mais recentemente vem aumentando a participação no varejo, para aumentar a rentabilidade.


Como podemos ver facilmente no gráfico abaixo, o segmento Corporate (clientes com faturamento anual entre R$300 milhões e R$4 bilhões) foi o que mais subiu e hoje é a maior parte da carteira de crédito do ABC


O segundo lugar fica com C&IB: Clientes com faturamento anual acima de R$4 bilhões, com 31% da carteira.


Por fim, os clientes com faturamento anual entre R$30 milhões e R$300 milhões, no segmento de Middle, tem 9% da carteira do banco.


Fonte: ABC
Fonte: ABC

Os ciclos do mercado de crédito corporativo brasileiro


A expansão do crédito corporativo no Brasil é feita de ciclos e hoje são R$2 trilhões, ou 21% do PIB emprestados para as empresas.

Destes, 64% são os chamados recursos livres (linhas sem destinação especifica) onde atua o ABC.

Fonte: ABC/ Banco Central
Fonte: ABC/ Banco Central

De 2006 até 2008, as taxas de crescimento deste tipo de crédito chegaram a 39% ao ano, crescimento interrompido pela crise global com o estouro da bolha imobiliária nos EUA.

De 2010 a 2015, vimos um crescimento médio anual de 9%, que teve fim com a Lava Jato, quando o crédito caiu 10% em 2016.


Em 2020, com crescimento de 21% durante a pandemia, tivemos o pico do ciclo de 2018 a 2022, fomentado pela queda de juros promovida pelo governo para compensar a crise do covid e quarentenas.


Em 2023 vemos uma ressaca pós expansão na pandemia, com queda de 4% nos créditos corporativos até agora, explicado pelo aumento rápido da taxa Selic de 2% em ago/2020 para 13,75% em ago/2023.


A taxa de juros real (Selic – inflação) saiu de -5% para +10%, retraindo a economia e o crédito.

Alem disso, o rombo de R$40 bilhões no balanço das Americanas (AMER3), impactou fortemente a inadimplência dos bancos e foi um baque no setor financeiro.


Fonte: ABC/ Banco Central
Fonte: ABC/ Banco Central


O 1S23 foi disfuncional no mercado financeiro do Brasil.


Culpa ou não das Americanas, a boa notícia é que o pior já passou e vemos melhora a frente, com Selic caindo!


Vimos em 2023 o índice de inadimplência subir de 2,2% em janeiro de 2023 para 3,3% em agosto, indo para a média histórica.


As linhas de capital de giro e descontos de recebíveis tiveram o maior aumento de inadimplência e a maior retração dos volumes de carteira.


Quando vemos o percentual de credito de maior risco, vemos uma estabilidade, o que é uma boa notícia, que indica uma manutenção na qualidade de credito.


A taxa bruta de juros como o spread mantiveram-se estáveis no ano, com seletividade maior pelos bancos, para clientes com menos risco.


O evento das Americanas também impactou as emissões de dívidas, e o primeiro semestre de 2023 foi muito disfuncional.


A boa notícia é que já vemos uma melhora no 3T e no 4T o mercado deve continuar melhorando.


Os resultados do ABC continuaram muito saudáveis, mesmo em um momento mais difícil no inicio de 2023


No 3T23 o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do ABC foi de 16,5% e o lucro de R$228 milhões.


A base de clientes aumentou 11% e a receita de serviços aumentou 47%, com metade vindo do banco de investimentos.


Fonte: ABC
Fonte: ABC

A carteira de crédito expandida aumentou 5% no 3T23 frente ao ano anterior e a queda da Selic em curso deve expandir a demanda por crédito.


A margem financeira que é, a grosso modo, a diferença entre a receita recebida em juros e dos juros pagos pelo banco, aumentou 15% frente ao ano passado.


A margem financeira cresceu com o aumento de receitas de produtos com maiores spreads (taxas que o banco cobra nos empréstimos, que é maior quanto maior o risco do cliente), com a maior relevância do segmento Middle, formado por empresas menores, com faturamento anual até R$300 milhões.

Fonte: ABC
Fonte: ABC

Inadimplência no pico ? - sem americanas não!


O caso das Americanas ainda machucou o resultado do ABC... mas este caso deve estar no fim com a negociação com credores avançando a passos largos e as provisões já realizadas.


Excluindo as Americanas o índice da carteira total foi de 0,9%, em linha com a média histórica.

 Fonte: ABC
Fonte: ABC

As despesas cresceram menos que as receitas e na faixa mínima do esperado pela empresa, que ficou com um ótimo nível de eficiência, o melhor do ano


O ABC tem acesso a um bom fundig (recursos para emprestar) suportada pelas notas de rating equivalente ao Brasileiro pelas principais agências de risco.



Vamos ao Valuation atualizado: é para comprar ou para vender?


Quando estimo o lucro liquido do ABC, estou sendo bastante conservadora, com um crescimento de apenas 6% em média para os próximos anos, comparativamente a uma média de 16% histórica, como mostra o gráfico:


Quanto ao Retorno sobre o Patrimonio Liquido, estou conservadoramente projetando que o banco volte para sua média histórica de ROE de 15%, o que ainda assim é acima da Selic estimada para 2024 de 9,25% segundo o Focus/Banco Central.



Com isso, o múltiplo P/L do ABC fica estimado em 5 vezes em 2024, o que é menor que seu próprio P/L médio histórico de 6 vezes, como mostra o segundo gráfico.


No preço alvo, tenho um P/L de 7 vezes para o ABC em 2024. Para o ABC convergir do P/L atual de 5,5x esperado para 2024 para a média histórica de 6,2x sua cotação teria de ser de R$25, cerca de 12% maior que a cotação da ABCB4 atual.



O P/L do ABC também é menor que o da maior parte dos bancos listados, sendo maior que o do BBAS3, que também está indicado na carteira All In One, que o Pine (PINE4) que teve um salto recente de resultados e tem maior risco pela minha análise e que Banrisul (BRSR6) que é um banco estatal de baixo crescimento



Quando comparamos o PVPA (Preço em bolsa dividido pelo Valor Patrimonial) do ABC com outros bancos, vemos que é um dos menores, e o menor considerado o seu nível de ROE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido).


O PVPA do ABC é maior apenas que o BMG (BMGB4) e Banrisul (BRSR6), que tem uma rentabilidade ROE baixo


Considerando as estimativas de crescimento futuras para o ABC, chego em um preço alvo de R$29 para o ABC em 12 meses, com um potencial de valorização de 32% o que está alinhado com as projeções médias da plataforma Investing:



Além disso, nas minhas estimativas o ABC vai pagar em média 7% de proventos ao ano nos próximos anos, o que se soma ao potencial de valorização da ação.


Com isso, temos que o ABC é mais barato em múltiplos que outros bancos listados, mesmo com crescimento histórico e ROE elevado, além de um bom pagamento de proventos, o que justifica sua MANUTENÇÃO NA CARTEIRA ALL IN ONE E RECOMENDAÇÃO DE COMPRA.



Att,

Cristiane Fensterseifer, CNPI

29/11/2023




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