Braskem: lucro dobra, ação explode. O que está acontecendo com BRKM5? (bancão acha que vai ainda mais - e eu explico pq)
- Cristiane Fensterseifer

- há 4 minutos
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Em dois dias, os papéis acumularam alta de 35%.
Na terça-feira (12), a ação disparou 29% numa única sessão — a maior valorização do Ibovespa no dia — depois que o JPMorgan elevou a recomendação de neutra para compra e jogou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15,00.
O valor de mercado da companhia saltou R$ 1,71 bilhão em poucas horas.
Hoje, mais combustível:
a empresa divulgou o resultado do primeiro trimestre de 2026.
O lucro líquido foi de R$ 1,446 bilhão — alta de 107% sobre o mesmo período do ano passado.
Alta de 3,85% só nesta sessão, enquanto escrevo
Para quem estava de fora, pareceu uma festa. Para quem carrega a ação na carteira há mais tempo, a sensação é outra.
O resultado do 1T26: o que os números dizem de verdade
O balanço do primeiro trimestre foi, tecnicamente, melhor do que o mercado esperava, mas cheio de nuances que precisam ser lidas com cuidado.
O que surpreendeu positivamente:
O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,006 bilhão (US$ 198 milhões), alta de 76% sobre o quarto trimestre de 2025.
A XP havia estimado US$ 164 milhões; o resultado veio 21% acima.
O consenso de mercado esperava algo ainda menor.
A melhora veio de margens mais fortes no Brasil, redução de custos de matéria-prima e créditos fiscais que ajudaram a composição da linha operacional.
O lucro líquido de R$ 1,446 bilhão foi fortemente beneficiado por ganhos cambiais.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o crescimento é de 107% — número impressionante no papel, mas que precisa de contexto: o 1T25 havia sido fraco, e o 4T25 registrou prejuízo de R$ 10,284 bilhões, um dos piores trimestres da história da companhia.
O que preocupou:
A receita líquida caiu 20% na comparação anual, para R$ 15,4 bilhões.
O EBITDA recorrente, apesar de forte na comparação trimestral, recuou 24% frente ao 1T25.
A operação no México seguiu com ociosidade recorde.
Volumes menores no Brasil e preços mais baixos nos EUA e na Europa completaram o quadro de receita pressionada.
O ponto mais crítico foi a geração de caixa.
A Braskem queimou aproximadamente US$ 1 bilhão em caixa no trimestre — cerca de 50% do seu valor de mercado — puxado pelo consumo de capital de giro.
O fluxo de caixa operacional ficou negativo, e a dívida líquida subiu para R$ 56,8 bilhões.
O próprio caixa da empresa mal cobre os vencimentos de dívida de 2026, com a operação ainda deficitária em alguns segmentos.
Por que a ação subiu 35% mesmo assim?
Três forças se combinaram para gerar esse movimento:
1. O upgrade do JPMorgan.
O banco passou a enxergar a Braskem como uma história de virada.
Os argumentos centrais:
melhora dos spreads petroquímicos globais com a guerra entre EUA e Irã, que criou restrições de oferta no Oriente Médio;
incentivos tributários recentes ao setor químico no Brasil;
e avanços de governança com a transferência do controle da Novonor para a IG4 Capital — nova estrutura que divide o controle entre IG4 e Petrobras e reduz riscos percebidos pelos investidores.
2. O desmonte de posições vendidas.
A ação tinha volume relevante de apostas na queda.
Com o upgrade do JPMorgan e a melhora de fundamentos, quem estava vendido precisou comprar de volta para fechar posição e isso amplificou a alta de forma desproporcional em relação ao que os fundamentos sozinhos justificariam.
3. O resultado do 1T26 acima do consenso.
Mesmo com as ressalvas no caixa, um EBITDA 8% acima do consenso e um lucro 107% maior na comparação anual deram respaldo técnico para a continuidade da alta.
A Braskem também projetou alta de 30% nos spreads de químicos no segundo trimestre, com recuperação de margens em março e abril após o início do conflito no Oriente Médio. Se o cenário de guerra se prolongar por mais de seis meses, no entanto, a companhia admite que os spreads podem voltar a comprimir no médio prazo.
Até aqui, o panorama geral do que aconteceu.
Mas as perguntas que realmente importam para quem tem BRKM5 na carteira são outras: vale segurar a posição mesmo no prejuízo? O preço-alvo de R$ 15 do JPMorgan é realista dado o nível de endividamento?
Quando — e se — vem a reestruturação da dívida? O que fazer se o conflito no Oriente Médio se resolver antes do esperado?
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