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Vale a pena comprar Natura após a venda da Aesop?

A NTCO3 anunciou a venda da Aesop para a L’Oreal, por US$2,5 bilhões.


A Natura havia comprado a marca de luxo australiana por apenas US$100 milhões em 2013.


Belo trade não?

Assumindo o imposto sobre o ganho de capital, estimo uma entrada de caixa de cerca de R$8 bilhões para a companhia.


Com isso, a NTCO3 poderia pagar boa parte de sua dívida bruta de R$ 14 bilhões no fim de 2022


A empresa sairia de uma alavancagem atual alta, de 3,5x o EBITDA, para ficar praticamente sem dívidas, uma vez que sua dívida líquida (dívida bruta menos caixa) é de R$8 bilhões no 4T22.


Com a venda, a Natura NTCO cai para um valor da firma de R$18 bi, bem menor que os atuais R$26 bi.


Mas o que sobra vale a pena?


Agora, vamos pensar no que sobra em termos de Ebitda, em uma abordagem simplificada.

A tabela abaixo mostra o Ebitda da Natura por divisão, e logo podemos ver que a Aesop tinha a melhor margem


Release de resultados da Natura
Release de resultados da Natura

A Receita dos demais negócios somou R$33,6 bilhões em 2022, com margem Ebitda de 9%, ou R$3 bilhões de Ebitda.


Logo, considerando o Valor da firma após pagamento da dívida e com a venda da Aesop, teríamos um EV/Ebitda de 6 vezes.


Isso parece barato quando compara-se por exemplo a um EV/Ebitda de 26 vezes da L’Oréal e de 15 vezes da Coty


Além disso, o EV/Ebitda da Natura provavelmente deve ficar abaixo da média histórica de 10x EV/EBITDA uma vez concluída a transação.


Diante da crise no mercado brasileiro, no entanto, os múltiplos não são uma pechincha.


Quando comparamos com players que tem caixa liquido e operações de fazer inveja, como a Renner (LREN3), que negocia atualmente a apenas 11 vezes P/L estimado para 2023, o P/L estimado para a Natura de mais de 25 vezes não me parece tão atraente assim.


O ponto positivo da transação. portanto. é uma Natura muito mais saudável em termos de balanço, desalavancada e sem dívidas.


O ponto negativo é que ela vendeu a joia da coroa, o negócio que mais cresceu e entregava maiores margens.


O que resta agora é concluir a difícil integração da Avon e tocar um negócio cujo modelo de vendas diretas minguou nos últimos anos, com uma concorrência brutal das importações e maquiagens chinesas, cada vez mais populares e baratas.


Não parece um trabalho fácil.


Ficarei observando de fora, por enquanto.


Abraços

Cristiane Fensterseifer, CNPI, CGA e consultora CVM

04/04/2023


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Motaz sadi
Motaz sadi
Apr 04, 2023
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Great analysis

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