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O mapa da mina: As melhores e piores ações do All In One

Este é um estudo feito para termos uma dimensão de como está cada ação indicada no portfólio sob ponto de vista de indicadores de saúde financeira.


A ideia é que mostrar quais as melhor empresas em cada um dos aspectos medidos.


Sabemos que não há empresa perfeita, mas temos as mais fortes em potencial de valorização, temos as melhores em dividendos e assim por diante...


Passaremos por indicadores de rentabilidade, por múltiplos, por avaliação do mercado.


Nesta primeira edição focarei nas dívidas, assunto tão pertinente após o caso Americanas e a alta de juros.


Fiz o estudo em gráficos para ficar mais agradável.


Isso nos ajudará a mapear riscos, apontando aquelas empresas que estão deixando a desejar em alguma métrica de saúde financeira e sob a qual devemos ficar de olhos bem abertos.


As estimativas usadas aqui são as de mercado, justamente pois a ideia é entender o que o mercado vê e o que espera das empresas indicadas na carteira.


Bom proveito!


Endividamento: O maior medo dos investidores hoje em dia


Primeiro quero destacar que boa parte das empresas indicadas não tem dívida líquida, mas sim, caixa líquido.


Isso quer dizer que quando pegamos o total de dívidas destas empresas e reduzimos o valor que ela tem em caixa, em disponibilidades financeiras, temos mais caixa do que dividas !


Em um cenário de Selic tão alta, ter mais caixa do que dívidas significa tirar proveito de altas receitas financeiras em vez se sofrer pagando juros altos.


Esta é a lista de empresas com caixa liquido na carteira:



Fonte: Investe10
Fonte: Investe10

Além disso temos na tabela acima os bancos, nos quais o conceito de dívida líquida/Ebitda não se aplica pela sua atividade ser basicamente captar e emprestar recursos e não tem nem dívida líquida nem Ebitda como métricas utilizadas comumente na sua avaliação.


Agora, vamos analisar as empresas que tem endividamento.


E já começo esclarecendo que não há nada de errado em ter dívidas e inclusive elas melhoram a estrutura de capital da empresa, quando custo de capital de terceiros é menor que o custo do capital próprio.


Em um exemplo prático, se você tem uma ótima empresa e consegue ter um bom retorno nas atividades dela, vale a pena pegar crédito para crescer e ampliar seu ganho.


O problema é o excesso de endividamento, que poderia fazer uma empresas quebrar e os juros muito altos, que tornam o custo da dívida maior que o retorno da empresa, não valendo a pena.


Fonte: Investe10
Fonte: Investe10

A maior parte das empresas com dívida possui menos de 1 vez o Ebitda de um ano estimado em dívida.


Ou seja, com o resultado que elas geram em um ano elas pagariam as dívidas, o que é uma condição em geral bem tranquila.


Agora vamos olhar uma por uma das quatro mais endividadas.


Coelce (COCE5)


Dentre as companhias com maior dívida líquida/ Ebitda da carteira recomendada, a maior é a Coelce com 2,56 vezes.

Fonte: Coelce
Fonte: Coelce

A Companhia encerrou 2022 com o custo médio da dívida no período de 13,33% a.a.

Fonte: Coelce
Fonte: Coelce

Com R$269 milhões em caixa no 4T22 e cerca de R$1,4 bi em pagamentos a fazer em 2023 a empresa possui um colchão de liquidez na forma de limite de mútuo com partes relacionadas.


Devido uma maior necessidade de financiamento para realização de investimentos e cobertura de capital de giro da companhia, a Aneel aprovou a ampliação dos limites de mútuos total para R$ 2,1 bilhões.


Fonte: Coelce
Fonte: Coelce

Como podemos ver pelos mútuos a Coelce tem um forte vínculo com a sua controladora chilena com histórico de recebimento de substanciais empréstimos intercompanhias.


Considerando que a empresa possui uma atividade estável e regulada, que é a distribuição de energia elétrica, com um Ebitda em 2022 de R$1,6 bilhões, deve ser capaz de honrar seus pagamentos e continuar pagando proventos. O melhor cenário hídrico devem favorecer seus resultados.


Pela característica do seu setor, de geração de caixa, a Coelce paga historicamente bons proventos e tem um dividend yield de 4% nos últimos 12 meses


Em setembro de 2022, a agência classificadora de risco de crédito corporativo Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito corporativo da Companhia de longo prazo na Escala Nacional Brasil em ‘AAA (bra)’, com perspectiva estável.


Em janeiro de 2023 a Fitch atribuiu Rating AAA(bra) para a 9ª emissão de debentures da Coelce destinados exclusivamente para reforço de caixa.


O rating da Enel Brasil se beneficia dos incentivos legais, estratégicos e operacionais que a sua controladora, a chilena Enel Américas teria para suportá-la, caso necessário.


Motivos para o investimento em Coelce


Por fim, o investimento nela deve-se ao fato de estar à venda e provavelmente esta ocorrer por valor superior ao negociado em bolsa.


Fonte: BR Investing
Fonte: BR Investing

A ideia é tentar capturar o prêmio na operação de venda, já que ela negocia com desconto de EV/Base de ativos e EV/Ebitda em relação a outras empresas do setor.

Fonte: Investe10
Fonte: Investe10

Fonte: Investe10
Fonte: Investe10


Camil (CAML3)


O endividamento total da CAML3 atingiu R$3,6 bilhões no último trimestre divulgado, em função de captações no internacional.


A liquidez total (caixa e equivalentes de caixa e aplicações financeiras de curto e longo prazo) atingiu R$812 milhões.


O endividamento líquido (dívida bruta excluindo liquidez total) totalizou R$2,8 bilhões com um endividamento líquido/EBITDA UDM de 2,8x


Fonte: Camil
Fonte: Camil

A Camil tem cerca de R$1 bi de dívidas vencendo em 2023 e cerca de R$800 milhões em caixa, o que juntamente com seu Ebitda bastante estável de cerca de R$800 milhões por ano parecem dar conta do recado.

Fonte: Camil
Fonte: Camil

Fonte: Fundamentus
Fonte: Fundamentus

Por ser uma boa geradora de caixa, a empresa costuma pagar juros sobre o capital próprio e tem um dividend yield médio de 4% ao ano.



Fonte: Oceans14
Fonte: Oceans14


Ambipar (AMBP3)


A alavancagem de 2,98 vezes o EBITDA anualizado no 4T22 cai para 2,5 vezes considerando os recursos primários da combinação de negócios com a HPX no 1T23.


A administração da Ambipar estás segura com o nível de alavancagem atual em razão da forte posição de disponibilidades e expectativas de geração de caixa.


O caixa da Ambipar mais os recursos de R$651 que entraram com a operação no 1T23 somam R$3,5 bilhões e são suficientes para o pagamento da dívida dela que vende em 2023, 2024 e 2025 e boa parte da dívida de 2026.


Se considerarmos a geração de caixa da empresa, com um Ebitda de R$1,4 bi estimado em 2023, podemos ficar tranquilos com a capacidade da empresa de honrar dívidas por enquanto.


Fonte: Ambipar
Fonte: Ambipar


Braskem (BRKM5)


A alavancagem corporativa da BRKM5, medida pela relação dívida líquida ajustada/EBITDA Recorrente em dólares, se manteve saudável encerrando o ano em 2,42x.


No fim do 4T22 apenas 4% do endividamento da Braskem era de curto prazo (vencimento dentro de um ano) e 57% têm vencimento apenas após 2030.


Com 87% da dívida em moeda estrangeira a empresa, cujas receitas também são ligadas ao dólar, tem uma dívida mais barata que nossa Selic, com custo médio de variação cambial + 5,7% ao ano.


Aqui você já deve ter pensado que com o dólar caindo frente ao real, temos uma melhora do resultado financeiro dela (ainda que um impacto oposto nas receitas no exterior)


O caixa da empresa no 4T22 garante o pagamento de 60 meses de dívidas



Desta forma, a Braskem mostra uma boa capacidade de pagamento da dívida e por isso é uma empresa com grau de investimento pela S&P e Fitch, acima do rating soberano (do país) pelas 3 empresas de rating.


Fonte: Braskem
Fonte: Braskem


No próximo relatório do Mapa das empresas analisarei outros indicadores de negócios das indicadas !


Abraços,

Cristiane Fensterseifer CNPI, CGA e Consultora CVM

20/04/2023


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